Música nos TCCs e a Previsão do Tempo

De alguma maneira, penso eu, os temas que os alunos escolhem pra seus trabalhos de conclusão de curso das faculdades –
os tais dos TCCs – refletem tendências.

Não é uma regra, claro. Mas me lembro de, nos anos passados, estudantes vindo me perguntar sobre coisas que logo virariam (ou já estavam virando) pequenas febres pra além da faculdade.

Exemplos. Em 2007, participei de duas bancas: uma buscava resgatar história de Jards Macalé; outra repercutia um suposto declínio no ciclo sambista que estava aceso desde o começo dos 2000.

Depois, além de trabalhos de menor relevância, analisei ótimos TCCs sobre a nova cena de São Paulo (em 2010) e a música contemporânea paraense (em 2011) – que, como sabemos agora, também refletiam bem o que se daria (ou já estava se dando) no mundo real, fora da academia.

Se os trabalhos de conclusão de curso têm mesmo esse poder de espelhar – às vezes até de prever – tendências do mundo real, tenho algo a dizer sobre o que virá nos próximos tempos.

Em primeiro lugar, muita gente tem me perguntado sobre Sergio Sampaio (1947 – 1994), o grande compositor capixaba que ficou conhecido por apenas um hit, “Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua”, mas criou uma obra impressionante e ainda desconhecida.

Já tem bastante gente falando nele, mas isso só começa a chegar nos trabalhos das universidades agora. Ou seja: os próximos anos prometem um revival de Sampaio, como foi o de Jorge Mautner e o de Jards Macalé.

Em dezembro, vou participar de duas bancas.

Uma delas analisa uma biografia (opa!) do cantor e compositor Taiguara. E ele é um nome que já vem rondando os nossos tempos. Ganhou um tributo com vozes femininas pelo selo Joia Moderna e teve sua obra-prima, “Imyra, Tayra, Ipy” (1975) reeditada em CD neste ano.

Outra banca esmiúça a histórias de álbuns obscuros da música brasileira que, nos tempos mais recentes, ganharam reedições em vinil por iniciativa de DJs – muitas vezes, apenas fora do Brasil. O livro-reportagem vai fundo nas feituras e repercussões de “Por Favor, Sucesso” (1969), da banda Liverpool; “Krishnanda” (1968), de Pedro Santos; “Arthur Verocai” (1972), do Arthur Verocai; e “Di Melo” (1975), do Di Melo.

Acho que não é permitido revelar muita coisa sobre esses trabalhos agora, antes das bancas finais. Por isso, nem conto o nome dos jovens autores. Mas adianto que eles merecem colunas especiais – cada um deles. E vou fazer isso assim que o tempo permitir.

Por enquanto, só cito os temas. Como a possibilidade de um presságio. Será que o futuro abrirá espaço pra alguns desses nomes? A conferir.

Via: OI FM

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