Sombra

A quem interessar possa…

Chega! Não gostaria de tocar mais nessa injúria, mas como não tocar numa questão que permanece ainda exposta e que definitivamente não podemos nos calar mais… Essa “nomenclatura-rótulo” precisa ser transmutada e a transmuto aqui!

É irracional, desumano, medieval, violento demais e principalmente injusto como foi com a vida e agora com a memória do Sérgio…

Como pode um Artista do quilate e da importância de Sérgio Sampaio para o Brasil, ser chamado de maldito? NÃO podemos mais ser coniventes com essa perpetuação…

Na matéria de página inteira do segundo caderno do jornal O Globo de 8/2/2014, na capa do segundo caderno, o titulo é: Sérgio Sampaio o lado B do “Maldito”. Mesmo entre aspas essa “nomenclatura/rótulo” ainda aparece atrelada ao seu nome como uma condenação.

Cabe a nós artistas que tivemos o privilégio de conviver e trabalhar com o talento extraordinário do Sérgio, aos artistas que  se debruçam sobre sua Obra, seu filho João,  parentes, amigos,  mulheres, o público, os admiradores confessos, fãs de todas as gerações desse Artista-ímpar, acabarmos de uma vez por todas com a passividade diante do desrespeito à memória desse Homem que, por injúria e irresponsabilidade de um jornalista, de  forma leviana, colocou uma sombra sobre sua pessoa, sobre seu Artista, encapsulou esse pássaro e não podemos mais ser coniventes com isso.

O jornalista que te nominou um dia de “maldito”, (logo você?) e tantos outros grandes, já adquiriu alguma consciência da injúria que cometeu, pela evidência clara da tua Obra ter atravessado tantas gerações e, por isso mesmo, ele carrega o fardo ainda maior que você meu irmão, assistir a cura de mais um rótulo, que nossa Sociedade teima em depositar em alguns não merecedores, se esquecendo quase sempre de atribuí-los aos que realmente os merecem!

Temos o compromisso de zelar pela memória do Sérgio Homem e Artista, porque ele pertence definitivamente a outra Casta!

Em todos os momentos e não foram poucos, que estivemos juntos, ele me perguntava incessantemente, “ por que sou chamado de maldito? Esse fado é impossível de ser carregado. É como uma maldição bíblica!”

Essa “nomenclatura/rótulo” era uma das causas da sua tristeza, lhe maculou a Alma, lhe colocou véus intransponíveis, couraças irrompíveis, quase o colocou no lugar dos proscritos. Esse peso minguou ainda mais o Sérgio; fisicamente, espiritualmente, emocionalmente, causou uma ruptura na sua estrutura psicológica, maculou seu nome, sua auto-imagem, seu Homem público.

Chega!

Graças à inquestionável força e beleza da sua Obra, Sérgio Sampaio e seu público, colocam Luz Solar em seu nome e Bendito seja!

Por: Xarlô foi amigo de Sérgio Sampaio e é diretor artístico. Foi responsável pelo famoso show da FUNARTE, em 1988.

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